A história começou quando eu era criança. Estava brincando e ouvia vozes de alguém me chamando.
Às vezes, ia até minha mãe, mas ela dizia que não tinha me chamado e eu voltava a brincar. Aos 12, comecei a ver um homem todo de branco entrar na minha casa.
Falava para minha mãe chamar a polícia, mas ela olhava ao redor e dizia que não via nada. Achei estranho que ele passava pelo portão sem abrir e comecei a ficar cismada. De tanto falar das visões, meus pais me levaram a um médico. Ele disse que era preciso me internar porque eu estava tendo alucinações.
Foi então que minha avó me levou até a dona Zilda, uma benzedeira que, na verdade, trabalhava em um centro espírita. Fomos até lá, ficamos sentadas em uma sala e a mulher distribuiu um pedaço de algodão para cada um. Quando terminou a bênção, ela tirou o algodão da minha mão e falou para minha avó: 'Esta menina é médium, leve-a para um centro para estudar o espiritismo'. Quando fui para casa, meu pai, católico fervoroso, ficou uma fera. Ele me proibiu de voltar lá. Fui escondida algumas vezes, mas sempre com minha avó.
Enquanto isso, as visões só aumentavam. Minha casa parecia um museu: eu via pessoas nas paredes, nos armários, e comecei a ter sonhos estranhos também, que me assustavam. Sonhava com vários acidentes que depois aconteciam.
Sofri muito durante anos e somente aos 38 foi que criei coragem e comecei a frequentar um centro espírita, estudar e entender tudo que se passava.
Fiz cursos, tomei passes e, a partir daí, todas as sensações ruins foram Maria Cristina Pereira, 50 anos, pedagoga diminuindo. Ainda tenho sonhos e visões, mas é bem mais controlável. Hoje, sou médium psicofônica, isto é, os espíritos falam através de mim. E, no centro espírita, ajudamos muitos espíritos que precisam de apoio. Sou formada em pedagogia e trabalho como evangelizadora com crianças e jovens de 3 a 17 anos no centro que considero o meu lar.
Na novela Escrito nas Estrelas, a Madame Gilda é uma médium com grande potencial. Na vida real, muitas pessoas como ela trabalham como cartomante e cobram pelo serviço, mas os médiuns jamais devem receber dinheiro por isso. Devemos somente ajudar a quem precisa. A mediunidade é uma dádiva e ajudar os outros nos impulsiona e nos fortalece.”
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